São 3 meses completos de missão, quase 4 e já posso dizer que bastante vi e ouvi, mas a sensação de sempre ter muito o que aprender é constante.
O dia a dia aqui faz com que eu amadureça muito a cada dia que passa e cresça - tanto profissionalmente como pessoalmente - graças a cada encontro que tenho com as vidas que cruzam com a minha.
Adultos, senhores, crianças, homens, mulheres... não importa! São todos seres humanos com histórias de vida tão intensas, sofridas – diria calejadas – vivendo sempre a espera de algo - este que nem sempre é muito positivo, alegre e nem muito colorido.
A realidade daqui é esta - Sensação de calmaria antes da tormenta - sente-se uma tensão dia após dia no ar e pelos ares através dos aviões passando a todo momento, mas isso não impede de ser surpreendida com um belo sorriso no rosto por alguém sempre lhe oferecendo um copo de chá ou então, à caminho de um atendimento, chamar a atenção de milhares de estudante gritando porque seu cabelo que está amostra (já que aqui todas as meninas e mulheres usam seus panos cobrindo as cabeças). Essa é a beleza deste lugar! As simples coisas do cotidiano. Cotidiano que de tão sofrido e calejado, como disse acima, se foi esquecendo a criatividade e espontaneidade do Ser Humano e a de que este é um ser de possibilidades.... ele não acredita em mais nada; perdeu a esperança. Este é o ponto chave para o brilho da vida.
A vida aqui não é nada fácil pelo que todos podem perceber e também a cultura daqui muitas vezes limita as pessoas de se expressar, falar do que sentem, compartilhar, chorar, se conhecer.
Por isso vejo a importância de nosso trabalho; percebo que no momento que utilizam o espaço conosco para fazer isso, começam a se permitir e então confiam em nós e assim em si mesmos... os sintomas que antes eram fortes, severos passam a diminuir; o sonho antes com tanques, bombas, corpos despedaçados se tranquilizam e a desesperança transforma-se lentamente em projetos de vida.... em possibilidades! E assim comemora-se mais uma conquista! Mais um passo....um de cada vez.